sexta-feira, 31 de maio de 2013

Caroline Severo Vargas

Criado por uma negra doceira, Paulo Honório foi um menino órfão que guiava um cego e vendia cocadas durante a infância para conseguir algum dinheiro. Depois começou a trabalhar duro na roça até os dezoito anos. Nessa época ele esfaqueia um homem que se envolve com a primeira namorada de Paulo Honório. Então é preso e durante esse período aprende a ler usando a bíblia. Ele passa somente a pensar em juntar dinheiro. Saindo da prisão, Paulo Honório pega emprestado com um agiota uma quantia em dinheiro e começa a negociar pelo sertão. Após conseguir juntar algumas economias, retorna a sua terra natal, Viçosa, com o desejo de adquirir a fazenda São Bernardo, onde tinha trabalhado. Para tanto, Paulo Honório inicia uma amizade falsa com Luís Padilha, herdeiro de São Bernardo. Luís era um moço apaixonado por jogo, mulheres e bebida, e aos poucos Paulo consegue conquistar a confiança dele. Inexperiente, Luís Padilha começa a financiar projetos que não trarão sucesso incentivado por Paulo Honório, que fazia tudo isso com a intenção de fazer Luís Padilha ficar falido. Luis não tendo como pagar as dívidas da fazenda, para quitá-la, Paulo o fez entregar as terras de São Bernardo a ele. Com a ajuda de seu amigo Casimiro Lopes, Paulo Honório manda matar Mendonça, fazendeiro vizinho, e consegue aumentar as terras de São Bernardo. Paulo Honório constrói estradas e passa a se dedicar cada vez mais ao trabalho. Para conseguir isso, ele comete as maiores injustiças. Seus ajudantes são: Gondim, o jornalista local; o padre Silvestre; e o advogado Nogueira, que manipula os políticos locais. Com a fazenda em ótima situação, Paulo Honório contrata Ribeiro para cuidar das contabilidades, contrata Luís Padilha como professor e constrói uma escola para alfabetizar os empregados e agradar ao governador do Alagoas. Além disso, manda buscar a negra doceira (Margarida), arranjando moradia para ela na São Bernardo. Um dia Paulo Honório percebe que precisa de um herdeiro para suas ricas terras e por conta disso resolve se casar. Então, um dia conhece a professora Madalena na casa do juiz Magalhães. Paulo Honório e Madalena se casam. Após o casamento a moça e sua tia Glória mudam-se para a fazenda e o rico fazendeiro vai percebendo que a rotina na São Bernardo começa a mudar. Madalena se interessa pela vida dos empregados e dá opiniões sobre as condições precárias na qual vivem estes. Paulo Honório, que imaginava Madalena como uma mulher frágil, incomoda-se profundamente com o comportamento da moça. Não conseguindo dominar a mulher como controlava todos, Paulo Honório se torna cada vez mais agressivo com todos e revela um ciúmes excessivo. Mesmo o nascimento do filho não ameniza o ciúmes que sente de Madalena e suas desconfianças de traição. No dia seguinte Paulo Honório vê a esposa muito abatida escrevendo uma carta para Azevedo Gondim e novamente se descontrola exigindo explicações. Ela então rasga a carta e o chama de assassino. E assim Paulo Honório vai ficando cada vez mais paranóico em relação à suposta infidelidade da mulher. Enquanto isso, Madalena sofria e sua solidão só aumentava, sentindo-se humilhada. Por fim, perde o interesse pelo próprio filho, que não era amado pelos pais e vivia solto na fazenda. Um dia lá da fazenda Paulo Honório vê Madalena escrevendo. Então percebe uma folha no chão. Lendo e relendo o trecho escrito, Paulo Honório tem certeza que é uma carta endereçada para um homem. Ele sai atormentado à procura da esposa e a encontra na igreja com uma aparência muito calma. Ele briga, mas ela lhe diz muito desanimada que o restante das folhas estão no escritório. Por fim, ela lhe pede perdão por todos os aborrecimentos e diz que o ciúmes estragou a vida dos dois. Paulo Honório passa a noite sozinho no banco da igreja. Chegando a casa no dia seguinte, descobre que Madalena havia se suicidado. Ela havia deixado sobre a bancada uma carta de despedida para o marido, sendo que faltava uma página, justamente aquela que ele havia encontrado no chão no dia anterior. Após a morte de Madalena, D. Glória e Ribeiro deixam a fazenda. Luís Padilha se junta aos revolucionários para lutar na Revolução de 30 e também deixa São Bernardo. O juiz Magalhães é afastado do cargo e os limites da fazenda passam a ser contestados judicialmente. Com tudo isso, Paulo Honório se encontra abandonado, e com a fazenda falida.

Amargurado pelo passado e incapaz de mudar, Paulo Honório ficou então a terminar de escrever o livro onde narrava a sua vida, não tendo nem mesmo o filho, já que por ele não tinha amor.

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